quinta-feira, 28 de setembro de 2017

“Uma reserva deslumbrante e de tal importância deve ser preservada com todas as forças”, diz turista sobre Tumucumaque

O baiano Welber encarou junto com a esposa as aventuras do Tumucumaque
Foto: Arquivo pessoal

Na sua primeira viagem ao Amapá e também a Amazônia, o baiano Welder Novais, de 31 anos, decide se aventurar no maior Parque Nacional do Brasil, o PARNA Montanhas do Tumucumaque (PNMT). O engenheiro cível veio acompanhado da esposa para conhecer as belezas cênicas da Unidade de Conservação (UC).

“Uma reserva deslumbrante e de tal importância que deve ser preservada com todas as forças pelo Estado, a fim de deixar toda aquela maravilha que tivemos o privilégio de ver permanecer disponível para as próximas gerações”, relata Welber.

Banhos no Amapari foram algumas das atividades
 realizadas pelo casal
A visita ao Tumucumaque aconteceu de 7 a 10 de setembro. Welber e a esposa vieram de avião de Salvador até Macapá, capital do Amapá. De carro percorreram 203 quilômetros até o município de Serra do Navio e seguiram de lancha até o Parque, onde ficaram alojados no Centro Rústico de Vivência (CRV), na confluência dos rios Amapari e São Felício (Rio Feliz).

“Decidi viajar para o Amapá porque é um estado ainda desconhecido para muitos brasileiros e pela grande dimensão do PNMT”, fala.

Welber conta que o contato direto com a natureza junto com o compartilhamento de ideias e sentimentos com pessoas da região ampliaram seus horizontes socioculturais.

“Sempre é muito bom estar perto da natureza. É um verdadeiro presente do Criador para nós. Para mim, particularmente, é uma ocasião em que me ‘desintoxico’ das mazelas da cidade grande e ‘limpo’ a minha vista. Gosto e sempre estou realizando estes tipos de passeios que envolvem trilhas, cachoeiras, fauna, flora e natureza de um modo geral”, explica.

Selfie na casa de barcos do Tumucumaque,
em Serra do Navio
Roteiro

Banhos em bancos de areia do Rio Amapari e no Igarapé Geladeira, contemplação da variedade de espécies da fauna e flora locais, apreciação da culinária local, foram algumas das atividades apreciadas pelos turistas durante a visita ao Tumucumaque.

“A grandeza dos Angelins e o reflexo da mata no Rio Amapari enquanto viajávamos de barco ficaram gravados na memória do meu celular e também na minha retina”, conta Welber.

Segundo Marcelo de Sá Gomes, Gestor Ambiental e Guia de turismo responsável pela expedição ao Parque, o casal também conheceu um sítio arqueológico e a Ilha do Abacaxi, localizada em frente ao CRV.

Marcelo que é Guia de turismo desde 2004, ressalta que a experiência com esse grupo no Tumucumaque foi muito prazerosa. Ele diz que o turismo valoriza as pessoas do entorno da UC. “Todos os produtos de alimentação foram comprados em Serra do Navio e os Pilotos e a cozinheira também eram da região”, diz.

O casal também conheceu a famosa Lagoa Azul, em Serra do Navio
Igarapé Geladeira na qual o nome faz jus as águas frias
Imensidão de verde da árvore Tauari, na Trilha da Copaiba

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Retrospectiva 15 anos Tumucumaque: “Era impressionante sentir as vibrações sonoras da biodiversidade”, diz geógrafo sobre o Parque


Bruno Reis é mestre em gestão territorial

“Parafraseando Cazuza, foi como se eu matasse saudade do que eu não tinha vivido. Um (re)encontro com minha ancestralidade”, disse o mestre em Gestão Ambiental e Territorial, Bruno Reis, 36 anos. O Geógrafo passou duas noites no Centro Rústico de Vivência, durante uma expedição de 10 anos no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT).


“Era impressionante sentir as vibrações sonoras da biodiversidade as noites e durante os dias... Uma sonoridade que conduzia à expansão da minha percepção sobre o lugar. Nunca tinha vivido nada parecido”, relata.

Bruno relembra que seu primeiro contato com o Tumucumaque foi em 2003, durante a graduação em geografia, quando fez um trabalho acadêmico falando sobre Unidades de Conservação (UC). “Escolhi o PNMT por ter sido recém decretado e ser a maior área protegida com floresta tropical do mundo”, afirma.


Dez anos depois, um dos sonhos de quem era apaixonado por floresta tropical, se tornava realidade: Bruno volta atuando como profissional.  Em 2012, em comemoração aos 10 anos do Parque, ele apresenta a proposta do Projeto Biodiversidade nas Costas para o conselho consultivo do PNMT.


O Geógrafo relata que suas experiências no Tumucumaque lhe tornaram uma pessoa melhor:

“A imensidão da Amazônia no PNMT me deu muito sobre minhas limitações e potencialidades de ser humano, sem dúvida. Existe o meu antes e o meu depois do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque”, comenta.

Biodiversidade nas costas


O projeto foi realizado entre 2013 e 2015. O material pedagógico, composto por seis publicações, foi elaborado pelo WWF-Brasil, como parte do projeto BNC-Tumucumaque, em parceria com professores e alunos dos cursos de geografia e de biologia da Universidade Federal do Amapá (Unifap) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).


“Foram produzidos livros paradidáticos, guias de sociobiodiversidade, jogos pedagógicos, inclusive para educação especial, revista em quadrinhos, de maneira participativa com docentes e discentes da Unifap, através de dois cursos de extensão universitária - Geografia e Ciências Biológicas - e professores-estudantes da Plataforma Paulo Freire, além dos especialistas das equipes do WWF, ICMBio e Ecocentro IPEC”, explica.


Bruno conta que o Parque foi um marco durante sua atuação no bioma. “Cada vez que abro a mochila Biodiversidade nas Costas-Tumucumaque, leio cada material, sinto que valeu a pena cada passo até chegar ali, no Tumucumaque”, ressalta.


Ficou curioso para conhecer a coleção do Biodiversidade nas Costas? Baixe a versão em PDF dos materiais didáticos abaixo:










terça-feira, 22 de agosto de 2017

Retrospectiva 15 anos Tumucumaque: “A biodiversidade é enorme em todos os aspectos”, diz geógrafa sobre o PNMT


Claudia Funi é especialista em geoprocessamento da SEMA/AP


“Foi meu primeiro contato com a floresta e superou minhas expectativas”, relatou a especialista em geoprocessamento da Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amapá (SEMA/AP), Claudia Funi, sobre a participação no inventário biológico no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT). A geógrafa era responsável pela produção dos mapas antes e após as primeiras expedições de levantamento da biodiversidade, que ocorreram entre 2004 e 2006.

“Considero a biodiversidade o bem mais precioso que o Amapá possui. É algo que não podemos replicar. Em todas as expedições encontramos espécies novas, áreas de endemismo e grande diversidade”, afirma.

Claudia era responsável pela produção dos
mapas durante as expedições
A geógrafa, que veio de São Paulo para o Amapá, especialmente para essas expedições e acabou ficando no estado até hoje, fala que durante a coleta do inventário teve momentos incríveis:


“Em uma das expedições a quantidade de animais avistada era acima da média: veado, tamanduá, anta, jaguatirica, preguiça, paca, nunca vi tantos animais. Os macacos nos acompanhavam por quilômetros na trilha”, relata.

Claudia lembra que além dos pesquisadores, mateiros também acompanhavam as expedições, e com eles aprendeu ensinamentos sobre a mata.

“A biodiversidade é enorme em todos os aspectos. Através do contato com pesquisadores, mateiros e barqueiros, aprendi um pouco sobre a floresta, reconhecer algumas espécies, sons, sinais que animais deixam nas trilhas, nos igarapés há beleza e há perigo, o importante é respeitar”, ressalta. 
                     
Inventário Biológico

O projeto foi promovido pela Conservação Internacional, através do Instituto de Pesquisas Cientificas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA), com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Instituto de Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). O inventário biológico desejava contribuir para a lista de espécies no corredor da biodiversidade. 
 
“A equipe de biólogos era bem animada e aceitavam o desafio de irmos o mais longe possível. Então navegávamos os rios por 2 até 7 dias para chegarmos no local escolhido”, conta Claudia.

As expedições dentro do PNMT foram realizadas entre 2004 e 2006.  Segundo Claudia, nove expedições foram feitas por via fluvial e uma por via aérea. Das dez expedições em floresta, cinco aconteceram no Tumucumaque.

“Foram realizadas dez expedições em áreas de floresta no PARNA Tumucumaque, FLONA Amapá e RDS Iratapuru. Para termos um melhor resultado, nós procurávamos ambientes diferentes em áreas de floresta. A escolha era feita usando sensoriamento remoto: imagens LandSat principalmente”, explica.

Conforme a geógrafa, as expedições eram de observação e coleta. Os biólogos eram especialistas em mamíferos terrestres, mamíferos voadores (morcegos), aves, crustáceos, peixes, répteis e anfíbios e botânicos.

“Quando chegávamos no ponto de estudo, um acampamento básico era montado e permanecíamos nele por cerca de 15,16 dias. Eram realizados 10 dias de estudos sistemáticos, com esforço amostral repetido em todas as expedições. Demais dias para montar a estrutura: abertura de trilhas, montagem das armadilhas”, ressaltou.

Claudia Funi é especialista em geoprocessamento da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA/AP), mestra em Biodiversidade Tropical e responsável pelo Projeto Base Cartográfica do Amapá.










sexta-feira, 21 de julho de 2017

"Aprendi a amar a biodiversidade”, diz guarda-parque que trabalha há 10 anos no Tumucumaque

Valdeci da Silva, piloto e guia de campo do Tumucumaque
Foto: Aline Paiva

“Aprendi a amar o meu trabalho. Recebi uma transformação no sentido de amar a natureza”, disse Valdeci da Silva, 46 anos, que presta serviços há mais de 10 anos para o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT).

Aos 19 anos o paraense mudou-se para Serra do Navio, localizada no centro do estado, a 203 quilômetros de Macapá. Dois anos antes da criação do município, em 1992. “Eu vivo aqui há tantos anos. Praticamente já me considero filho daqui da região”, afirma.

Valdeci é um dos guias mais queridos do Parque
Foto: Aline Paiva
Valdeci é Guia de Campo e Piloto de Embarcação do Tumucumaque. Ele conta que também vem ensinando jovens que trabalham no projeto de Monitoramento da Biodiversidade a conhecerem melhor o Rio Amapari, uma das principais vias de acesso ao Parque.

“Eu piloto de dia e até de noite. Também tenho ajudado a formar novos pilotos para esta região. Faço um treinamento. Mostro como se deve lidar com os motores e como respeitar a natureza. Ensino que não se deve arriscar, principalmente quando há visitantes ou pessoas que não são acostumadas com embarcação”, explica.

Desde 2012 o Tumucumaque tem recebido visitantes em seu Centro Rústico de Vivência, na confluência dos rios Amapari e São Felício (Rio Feliz).  Valdeci e outras pessoas da região atuam também no atendimento a este público, como guias pelas trilhas do Parque e condutores pelos rios.

Guarda Parque

Valdeci é um dos 493 Guarda-Parques formados no estado, dos quais 180 são amapaenses. O curso é desenvolvido pela Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam) com apoio do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio), Associação de Guarda-Parques do Amapá (AGPA) e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema). 

“Primeiramente um Guarda-Parque tem que amar suas tarefas. Ele tem que defender a natureza, como se fosse alguém da sua família”, conta.

Foto: Aline Paiva
De acordo com Nayara Araújo, consultora do PNMT, os cursos iniciaram em 2005, com a formação de indígenas. Em 2006 a capacitação incluiu também não indígenas.

Atualmente o maior desafio destes profissionais é a regulamentação desta profissão, o que permitirá que eles possam ser contratados para exercer suas funções nas Unidades de Conservação do Amapá.

Conforme Richard Pinheiro, presidente da AGPA, a associação ainda não se manifestou a respeito da regulamentação da profissão no estado devido estarem passando por um processo organizacional.

“A associação ainda não se manifestou sobre a regulamentação. Existem alguns pontos na lei que nós não concordamos. Porém, ainda não nos manifestamos porque estamos em uma fase organizacional. Tudo gera despesa e ainda não arrecadamos o pagamento mensal dos associados”, explica.

A próxima capacitação está prevista para acontecer de 10 a 30 de agosto de 2017, incluindo a parte teórica e prática. As inscrições deverão ser feitas no período de 24 de julho a 1 de agosto. São 25 vagas destinadas a pessoas que moram ou atuam em Unidades de Conservação, e entorno, do Amapá.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

“Nunca tinha visto nada parecido”, diz turista francesa sobre visita ao Tumucumaque

Grupo de turistas conheceu a famosa Trilha da Copaiba, dentro do Tumucumaque
Foto: Aline Paiva

O sorriso no rosto da francesa Margaux Balcerek, 23 anos, demonstrava o quanto estava empolgada com a visitação ao Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT). “As pessoas aqui procuram viver mais de acordo com a natureza, uma vida mais simples”, conta.

Margaux atualmente trabalha como produtora de eventos em Amsterdã, capital da Holanda. Trouxe consigo uma amiga francesa, a engenheira mecânica Diane Fovet, 24 anos, para conhecer a Amazônia. Era a primeira vez das duas no Brasil e na América do Sul.

Turista francesa Margaux Balcerek
Foto: Aline Paiva
“Tudo é muito novo. Eu nunca tinha visto nada parecido. A comida, a maneira de viver, a habitação, até a maneira de dormir”, fala Margaux empolgada.

Diane conta que a única dificuldade enfrentada foi necessitar ficar atenta a tudo.

“Na França, por exemplo, eu só tinha que ir ao banheiro, e no Parque tenho que ficar atenta a tudo, se não tem nenhum inseto, ou algo mais perigoso. Na hora de tomar banho no rio, é necessário ter cuidado, pois a correnteza é um pouco forte. Eu passei a prestar atenção em todas as coisas”, explica.


Turismo

O passeio foi realizado pela Amapá EcoCamping, empresa especializada em coordenar viagens que proporcionam o contato do ser humano com a natureza. As francesas conheceram o Parque com mais 4 turistas, sendo um casal de Porto Alegre e mais 2 repórteres da Rede Record Nacional, que produziam uma série de reportagens especiais sobre o Tumucumaque.

Diane Fovet durante passeio no rio Amapari
Foto: Aline Paiva
“O roteiro foi de 3 dias e 3 noites, contou com atividades como trilha ecológica, passeio nos rios Amapari e São Felício (ou Rio Feliz), localizados na Unidade de Conservação (UC), além da gastronomia que foi bastante valorizada no passeio”, afirma Victor Hugo, operador de turismo da Amapá EcoCamping.

Thiago Severo Garcia, 42 anos, médico radiologista em Porto Alegre, soube do Tumucumaque através de um familiar que trabalha no Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade – ICMBio, no Rio Grande do Sul.

“Os passeios foram bons, tem que ter um pouco de resistência física nas trilhas, mas nada de pesado e sim bonito. Vou levar uma experiência inesquecível, não somente pela beleza do Parque, mas também pela convivência com as pessoas”, falou.

Os turistas chegaram ao Parque no dia 2 de julho e permaneceram até dia 4, onde seguiram um roteiro que abrangia a Comunidade Ribeirinha Igarapé do Sucuriju, fora dos limites do Unidade de Conservação.

Desde 2012, quando começou a receber turistas em seu Centro Rústico de Vivência, no rio Amapari, o Tumucumaque já recebeu mais de 400 visitantes, sendo a maioria do próprio Amapá, em grupos pequenos. No entanto, a procura de atividades no Parque também por viajantes de fora do estado tem crescido bastante nos últimos anos.


Foto: Aline Paiva


Foto: Aline Paiva

Foto: Aline Paiva

Foto: Aline Paiva


Foto: Aline Paiva